A semana ordenada por quem leu
Esta edição segue um critério simples: as peças da semana aparecem na ordem em que foram lidas, e não na ordem em que saíram.
O critério tem um limite, e ele fica declarado: só entram no ranking as peças da página com medição por peça. O que foi publicado no perfil pessoal e nas redes sem coleta por peça não perdeu, apenas não foi visto pela medição.
O destaque da semana: o inventário que ninguém fez
A peça mais lida partiu da estatística que circula sobre projetos de IA revertidos no Brasil.
A leitura da RBI é que a reversão quase nunca começa na escolha da ferramenta. Ela começa antes, no fato de a empresa não ter escrito em lugar nenhum o que já está rodando, onde há decisão automática e quem revisa o caso duvidoso.
O inventário cabe numa tarde e sai incompleto na primeira versão. Mesmo incompleto, é a primeira vez que a empresa enxerga a própria superfície de risco, e é por isso que ele vem antes de qualquer compra.
Em segundo: o custo de cada canal, medido
A segunda peça mais lida trouxe o custo de cada canal da operação, com janela declarada.
Número de canal costuma aparecer em duas formas ruins: o que a ferramenta informa e o que a memória estima. As duas convencem, e nenhuma das duas sobrevive a uma pergunta de segunda ordem.
O que muda quando o custo é medido não é o valor. É a conversa: passa a ser possível comparar canal com canal, decidir onde cortar e dizer em que período aquilo foi apurado. Operação que não sabe responder a janela da medição não tem dado, tem impressão com casas decimais.
Em terceiro: a régua que já tem data
A terceira peça tratou da diferença entre a norma europeia, que já está em vigor e cobra registro de quem decidiu, e a norma brasileira, que segue sem data.
Para a empresa que atende cliente fora, a cobrança chega antes pelo contrato do que pela fiscalização. O fornecedor que não sabe explicar como marca a saída dele vira um risco que a contratante assume sem ter escolhido.
Esperar a lei local para começar a registrar decisão é escolher fazer o trabalho duas vezes, e a segunda com prazo.
As demais da semana
Saíram ainda duas peças que não entraram no destaque.
Uma detalhou a exigência de marcação legível por máquina na saída de sistema de IA, com o prazo já declarado para quem estava no mercado antes da entrada em vigor.
A outra tratou da resolução do conselho de medicina que reconhece ao paciente o direito de saber que houve participação de máquina na decisão clínica, e de recusar esse uso.
O que liga as cinco
Nenhuma das cinco peças recomenda produto.
Todas perguntam a mesma coisa em ordens diferentes: qual decisão foi automatizada, qual o maior dano possível se ela sair errada, quem responde por ela, e onde isso está escrito.
É por isso que a RBI trata autonomia de agente como consequência do dano possível, e não do verbo do comando. Um agente que redige rascunho e um agente que aprova pagamento fazem a mesma coisa do ponto de vista técnico. Não fazem a mesma coisa do ponto de vista de quem assina.
O que isso muda na próxima compra
A pergunta que a RBI leva para a mesa não mudou: antes de olhar tela, escrever o que conta como sucesso, qual perda é aceitável, em quanto tempo o erro precisa ser detectado e quem revisa.
Fornecedor que responde isso por escrito entra na comparação. Os outros continuam sendo demonstração bonita, e demonstração não assina nada.