O laudo que alguém assina
Na missão à China em 2025, o encontro com uma empresa local de IA para diagnóstico por imagem deixou uma lição que não estava no roteiro técnico. O algoritmo de diagnóstico funcionava bem, isso já era esperado. O que marcou foi outra coisa: quem assina o laudo final continua sendo um médico.
Essa distinção parece pequena, mas não é. Ela separa uma ferramenta de apoio de uma ferramenta que decide. Em saúde, essa linha é clara por exigência regulatória. Em outros setores, ela ainda está sendo desenhada, e nem sempre com o mesmo cuidado.
Um Santo que lê, um humano que decide
Na Diretoria Digital, o processo de recrutamento ganhou um agente dedicado a ler o candidato a fundo: histórico, perfil, evidências técnicas, tudo reunido antes da entrevista. O ganho é tempo e profundidade de leitura.
Mas o desenho tem um limite escrito, não implícito. A decisão de contratar permanece humana. O agente instrui, organiza, aprofunda a visão sobre a pessoa. Não fecha a vaga sozinho, e essa fronteira não é um detalhe operacional, é o ponto central do desenho.
A cadeira vazia no financeiro
O financeiro fecha o mês. Os números chegam, as contas batem, o relatório sai. Mas existe uma função que esse fechamento não cobre: ler o custo por canal e decidir onde cortar.
Essa cadeira, FinOps, está vazia. Não é falta de dado, é falta de alguém dedicado a interpretar o dado com essa pergunta específica em mente. Fechar o mês e decidir onde investir são exercícios diferentes, e confundir os dois deixa decisão de alocação na mão de quem só tinha tempo para conferir números.
O que não foi medido não perdeu
Parte do conteúdo publicado pela página nesta semana ainda não tem leitura de desempenho completa. Isso não significa fraqueza, significa apenas que a medição ainda não alcançou tudo que foi publicado.
Vale registrar isso com a mesma franqueza com que se registra o que já tem número: ausência de medição não é o mesmo que ausência de resultado.
Onde a RBI entra
A RBI representa instituições que estão, cada uma à sua maneira, desenhando essa fronteira entre o que a tecnologia decide e o que permanece humano. Ela não vende essa fronteira pronta, porque cada operação tem seu próprio risco e sua própria régua.
O papel da RBI é acompanhar de perto essas escolhas, nos parceiros que representa, e ajudar a tornar essa linha mais clara, nunca mais confusa.